Mariana tem 32 anos, um mestrado em engenharia civil, um contrato sem termo e um salário que, há cinco anos, lhe teria permitido arrendar um apartamento a menos de uma hora de Lisboa. Hoje, esse mesmo apartamento custa o dobro. Ela continua no quarto onde cresceu, na casa dos pais em Setúbal, a fazer contas que nunca fecham. "Não é que não queira sair", diz. "É que sair deixou de ser possível sem sacrificar tudo o resto."

A história de Mariana repete-se com variações por todo o país. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, cerca de 62% dos portugueses entre os 25 e os 34 anos vivem ainda com os pais, o segundo valor mais elevado da União Europeia, apenas superado pela Roménia. Em 2015, essa proporção era de 48%. A aceleração é tão abrupta que os próprios modelos demográficos do INE tiveram de ser revistos.